quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quanto mais verde, melhor

 

O Brasil é o quarto país do mundo com mais prédios com o selo Leed de construção sustentável. Ter ou alugar um edifício com essa certificação não sai barato, mas os ganhos ambientais e de imagem são grandes atrativos.

O Eldorado Business Tower é um imponente edifício de 32 andares que se destaca na paisagem da marginal Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Por estar afastado do conjunto de espigões da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul da cidade, ele parece não ter concorrentes à altura. E, em certo sentido, não tem mesmo. O empreendimento é o primeiro - e, até o momento, o único - no Brasil que obteve a certificação platina, categoria máxima da Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), o principal selo de construção sustentável do mundo. Ao todo, apenas 44 prédios corporativos no mundo pertencem à categoria platina do selo verde emitido pelo Green Building Council (GBC). A pedido de EXAME, o GBC Brasil fez um ranking dos cinco prédios mais verdes do país. Além do Eldorado Business Tower, completam a lista o Eco Berrini, o Rochaverá Corporate Tower, o WTorre Nações Unidas e o WTorre JK. Todos eles ficam em São Paulo e, com exceção do Eldorado Business Tower, pertencem à categoria ouro, logo abaixo da platina (o Eco Berrini está em processo final de avaliação para ser elevado ao padrão platina).

Vistos de fora, esses prédios verdes não dão a dimensão exata do que têm de diferente - mas trazem, dentro de si, uma série de características inovadoras. Quando chove, o Eldorado Business Tower - que tem inquilinos como Gerdau, Odebrecht e General Electric - retém 25% da água que iria parar no rio Pinheiros, reduzindo o risco de alagamentos na vizinhança. A água captada pelo prédio é reaproveitada na irrigação dos jardins e nos vasos sanitários. Os elevadores possuem um mecanismo que recupera energia elétrica durante as descidas. Os vidros de alto desempenho permitem a entrada de 75% da luz solar no edifício e, ao mesmo tempo, deixam 72% do calor do lado de fora. Esse material especial representou um custo adicional de 2,5 milhões de reais para a obra, mas permitiu redimensionar o sistema de refrigeração, gerando uma economia de 4,5 milhões de reais na compra do ar-condicionado.

O Eco Berrini, uma torre de 32 andares, de propriedade do fundo de pensão Previ e alugado para a Telefônica, é mais um prédio que, à primeira vista, se parece com tantos outros edifícios modernos de São Paulo. Mas é uma das primeiras construções na cidade que, desde sua concepção, foi planejada para obter a certificação Leed. Sua fachada é toda envidraçada, o que garante a excelente luminosidade e reduz o consumo de energia. Para evitar a entrada excessiva de calor, a solução foi dividir as janelas que vão do chão ao teto do pavimento em três partes - as janelas superior e inferior, com vidros especiais, retêm mais calor.

Localizado também na região da marginal Pinheiros, o Rochaverá Corporate Tower, da incorporadora Tishman Speyer, é um dos maiores complexos comerciais de alto padrão de São Paulo. Ocupando um terreno de 34 000 metros quadrados, destaca-se por possuir inúmeras áreas verdes, que tornam o ambiente acessível aos que trabalham ou moram nas imediações. É como uma praça interligando uma estação de trem e os dois shoppings vizinhos. "Essa preocupação de inserção no meio urbano é fundamental para os prédios verdes", diz Marcelo de Andrade Romero, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Um edifício verde precisa ser sustentável desde seus primeiros dias de vida, reduzindo os transtornos na vida da cidade, como a quantidade de poeira, o trânsito intenso de caminhões e o barulho na fase de construção
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É preciso considerar também que, uma vez de pé, ele não pode sombrear totalmente um prédio vizinho. Deve usar a maior quantidade possível de material reciclado, como refugo de outras obras, ou que tenham rápida renovação na natureza. A compra de matéria-prima de localidades muito distantes deve ser evitada. Não faz sentido, por exemplo, um empreendimento de São Paulo ou do Rio de Janeiro trazer madeira certificada do Acre, já que essa operação envolve um elevado custo ambiental com o transporte.

CUSTO E RETORNO
Para obter a certificação verde, um prédio precisa cumprir vários requisitos: o projeto deve proporcionar eficiência energética, permitir a redução do consumo de água, usar material reciclado, melhorar a qualidade interna do ambiente e apresentar inovações tecnológicas. Com as soluções avançadas que adotam, os edifícios verdes custam até 7% mais do que prédios de alto padrão erguidos sem as mesmas preocupações ambientais. Trata-se de uma conta enganosa. Os prédios sustentáveis também estão se tornando uma exigência no mundo corporativo graças à redução de até 10% nas despesas com manutenção. "O retorno operacional dos edifícios certificados é rápido", diz Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil. O preço do condomínio, evidentemente, diminui, mas não o do aluguel, que tem uma valorização alta. Segundo o portal Zap, maior banco de dados do mercado imobiliário do país, o preço do aluguel por metro quadrado em um prédio com o selo Leed chega a ser três vezes maior do que o de outros imóveis na mesma região.

Apesar da locação mais alta, muitas multinacionais buscam espaços nos prédios verdes para seguir o mesmo padrão de sustentabilidade adotado pela matriz no exterior. "No mundo dos negócios, estar num prédio verde é hoje uma preocupação da maioria das grandes companhias", afirma Roberto Aflalo Filho, sócio do escritório paulistano de arquitetura Aflalo & Gasperini, responsável pelos projetos do Eldorado Business Tower e do Eco Berrini. Aflalo Filho lembra que, nos anos 70, essa era uma preocupação no mundo da construção. A regra era erguer o prédio e vendê-lo rapidamente com o maior lucro possível. Nas duas décadas seguintes, os fundos de pensão passaram a investir em imóveis, o que levou ao surgimento de empreendimentos de alta durabilidade e baixo custo de manutenção. Nos anos 2000, novas tecnologias tornaram viáveis conceitos inovadores que custavam a sair das pranchetas. "A construção de um prédio verde é uma decisão econômica que leva em conta o investimento e o retorno. Um prédio que não incorpora essa visão é como um carro beberrão, que só se desvaloriza e acaba não sendo usado", diz Aflalo.

O valor de um prédio verde vai além do tangível - ele pode ser refletido na imagem das empresas que optam em habitá-lo. "Ao se instalar num edifício assim, uma empresa busca mostrar à sociedade que se preocupa com o meio ambiente", diz Romero, da USP. Pode até ser um passo importante, mas evidentemente não se trata da panaceia dos problemas de sustentabilidade corporativa. Na China está sendo construído o primeiro edifício sustentável com 100% de eficiência energética - produzirá toda a energia que consumir. Ainda em processo de certificação Leed, o Pearl River Tower, na cidade de Guangzhou, é um arranha-céu de 69 andares que prevê a geração de energia por meio de painéis solares e aerogeradores, ventilação em piso elevado e coletores de água da chuva.

Entre as empresas que ocuparão o espaço está a China National Tobacco Corporation, uma companhia polêmica por natureza.

LIDERANÇA AMERICANA
O Brasil é atualmente o quarto país do mundo com mais prédios corporativos verdes - 46 empreendimentos obtiveram o selo e outros 490 estão em processo de avaliação. Os Estados Unidos são, disparado, líderes nessa área, com 11 385 prédios verdes certificados, seguidos da China, com 210, e dos Emirados Árabes Unidos, com 50. Dos 44 prédios corporativos verdes no mundo com certificação platina, 33 são americanos. No coração de Manhattan, Nova York, fica a sede do Bank of America, cujo arranha-céu de 55 andares é considerado o edifício mais verde do mundo. Por estar ao lado da Times Square, onde há conexão para quatro linhas do metrô, o prédio do Bank of America dispensa garagens para carros. Na parte invisível para a maioria dos frequentadores, há um engenhoso sistema de armazenamento de gelo que supre 25% da necessidade de refrigeração anual do prédio, reduzindo os picos de energia, comuns em certas horas do dia. À noite, quando a maioria dos funcionários já foi embora dos escritórios, a sobra de eletricidade é usada para produzir gelo para o dia seguinte.

O primeiro prédio verde de Nova York foi o Hearst Tower, sede do grupo de mídia Hearst Corporation. A moderna torre, projetada pelo arquiteto britânico Norman Foster, foi concluída em 2004 e preservou as características do prédio original de três andares, construído em 1928. A torre gasta 26% menos energia do que um prédio convencional, retém 25% da água das chuvas e conseguiu diminuir em 869 toneladas a emissão anual de gases do efeito estufa, o correspondente à retirada de 174 carros das ruas.

Na Índia fica o único prédio corporativo fora dos Estados Unidos entre os cinco mais verdes do mundo. O Kalpataru Square foi o primeiro projeto na Ásia a obter a certificação Leed. Localizado próximo ao aeroporto de Mumbai, o empreendimento foi erguido para impulsionar o crescimento do distrito de negócios de Andheri. Seu projeto previu a redução de até 61% do escoamento da água de chuva, que é reaproveitada na irrigação dos jardins e nos vasos sanitários. Os indianos acreditam que empreendimentos como o Kalpataru Square podem estimular outras empresas a investir na melhoria de sua sede, ajudando a criar uma nova imagem para o país.

OS PRÉDIOS MAIS VERDES
O Brasil tem 46 prédios corporativos com o selo verde Leed. Abaixo, os cinco melhores. Apenas um deles, o Eldorado Business Tower, pertence à categoria máxima, platina

OS MELHORES DO BRASIL:
Eldorado Business Tower/São Paulo
Eco Berrini/São Paulo
Rochaverá Corporate Tower/São Paulo
WTorre Nações Unidas/São Paulo
WTorre JK/São Paulo
No mundo todo, os Estados Unidos lideram as certificações, com 11 385 prédios corporativos verdes. A seguir, o ranking dos cinco melhores do mundo

OS MELHORES DO MUNDO:
Bank of America Tower/Nova York, Estados Unidos
Banner Bank Building/Boise, Estados Unidos
1200 Nineteenth Street/Washington, Estados Unidos
Kalpataru Square/Mumbai, Índia
1800 Larimer/Denver, Estados Unidos

Fonte: Green Building Council


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dia a Dia Fácil - Limpeza verde

 

Dá para limpar a casa toda com soluções naturais, que substituem de forma eficiente produtos como detergente, multiúso, antimofo... Você vai economizar muito, evitar alergias e outros problemas de saúde, e ainda ajudar a preservar o meio ambiente.

Vinagre, suco de limão e bicarbonato de sódio: com esse trio nas mãos, você ataca de mofo, limo e manchas a gordura, entupimento e odores fortes. Ele tem propriedades bactericidas, abrasivas e ácidas tão eficientes quanto os produtos industrializados, mas com a vantagem de não agredir a nossa saúde nem o meio ambiente. "O multiúso e o detergente contêm fosfato na fórmula, um elemento que facilita a remoção da gordura. Em excesso, porém, ele causa a eutrofização da água - processo que leva ao crescimento exagerado de algas e micro-organismos e, consequentemente, ao desequilíbrio ecológico", explica Márcio Augusto Araújo, consultor de ecoprodutos do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (SP).

Embora no Brasil a quantidade de fosfato seja controlada, imagine o efeito provocado quando milhões de pessoas usam os produtos indiscriminadamente. "Os itens industrializados podem ser rastrea­dos, mas pior mesmo são os fabricados em `fundo de quintal’, que muita gente compra sem conhecer a fórmula e os efeitos colaterais", diz o pesquisador Maurício Waldman (SP), autor do Guia Ecológico Doméstico (Ed. Contexto). Além das alergias na pele, podem ocorrer intoxicações causadas pelo forte odor e até envenenamento de animais domésticos. Abra mão também de detergentes, solventes e ceras que contenham compostos voláteis, cloro ou formaldeído, pois poluem o ar e provocam problemas respiratórios.

CONSUMO CONSCIENTE
Nas prateleiras dos supermercados já existem vários materiais de limpeza ecológicos, isentos de agentes químicos agressivos ou com o seu teor reduzido. Portanto, ao optar pelos industrializados, prefira os de baixo impacto ambiental. Maurício ressalta que é fundamental mudarmos os nossos hábitos de consumo. "As pessoas acham que basta limpar bem. Mas a ideia é sujar menos para dispor de uma quantidade menor de produtos químicos em casa, pois eles poluem os rios e matam os peixes. A água da máquina de lavar roupas que já tem sabão, por exemplo, é perfeita para higienizar o vaso sanitário ou tirar a sujeira do quintal", ensina.

PRODUTOS SEM QUÍMICA
Na hora de limpar a casa, use estas receitas que garantem um ótimo resultado a baixo custo, não fazem mal à saúde nem poluem o ambiente

Vinagre
Com alta concentração de ácido acético, o líquido funciona como um potente desinfetante e desengordurante. Os melhores para a limpeza são o branco (de álcool) e o de maçã.

Antimofo
Remova esse odor desagradável do armário limpando-o com um pano mbebido na mistura de 3 litros de água quente com 1 ou 2 colheres (sopa) de vinagre branco.

Fim da gordura
Ponha um pouco de vinagre puro sobre a gordura do fogão, deixe agir por um minuto e limpe.

Rejunte branquinho
Aplique vinagre puro com uma escovinha de dentes no rejunte do azulejo. Aguarde pelo menos duas horas para enxaguar com água. A dica também vale para limpar aquela parede com marcas de móveis ou de sapatos.


Brilho em vidros e espelhos
Dissolva 1 parte de vinagre em 4 de água quente e limpe essas superfícies. Os vidros ficam ainda mais transparentes!

Tapetes e carpetes novinhos
Para limpar essas peças, aplique uma mistura com a mesma quantidade de vinagre branco e água.

Amaciante
Substitua o produto convencional por 1/2 copo de vinagre no último enxágue da roupa. Ela fica supermacia...

Bicarbonato de sódio
À base de dióxido de carbono e hidróxido de sódio, o bicarbonato é bactericida e uma excelente alternativa para os produtos de limpeza abrasivos. Use-o, sempre com luvas, na limpeza da cozinha e para afastar odores desagradáveis.

Forno brilhante
Molhe um pano macio numa mistura de 1/2 litro de água quente e 3 colheres (sopa) de bicarbonato. Aplique em todo o forno e, após uma hora, retire-o com um pano úmido.


Ralos desentupidos
Misture bem 1 xícara (chá) de sal, 1 de bicarbonato e 1 litro de água quente. Jogue no ralo.

Carpete cheiroso
Para eliminar o odor forte, provocado por animais de estimação ou pela falta de ventilação no ambiente, pulverize bicarbonato de sódio sobre o carpete usando uma peneira grande. Deixe agir por dez minutos e aspire. Não passe vassoura para evitar que o tapete fique branco.

Geladeira limpinha
Sempre depois de finalizar a limpeza da geladeira e do freezer, passe um pano úmido com bicarbonato na parte interna para desinfetar o local.

Suco de limão
O ácido cítrico do fruto ajuda a dissolver o limo e até manchas de ferrugem.


Louça sem gordura
Dilua 1/4 de xícara (chá) de suco de limão em água e aplique na peça com um pano macio.

Antiferrugem
Retire esse tipo de mancha de talheres, grelhas e fogão esfregando a superfície com suco de limão e uma esponja.

MULTIÚSO CASEIRO
Num frasco de vinagre de maçã, junte 3 colheres (sopa) de bicarbonato de sódio e 1 copo de extrato de raspa de juá (árvore típica do Nordeste, também conhecida como juazeiro), à venda em lojas de produtos naturais. A solução tem validade de até seis meses se for guardada bem fechada e à sombra.


Importante
Mesmo os produtos sendo naturais, nunca deixe-os ao alcance de crianças e animais.

Fonte: Planeta Sustentável

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Imagens que mostram o resultado das mudanças climáticas no nosso planeta

A mudança climática está afetando o clima do mundo de muitas maneiras: secas, ondas de calor, nível do mar e tempestades. Confira algumas fotos que ilustram isso.
Docas no Rio Pedernale, no Texas, durante uma seca em julho de 2011.

Ursos polares sentados em cima de montes de gelo em fase de derretimento no Ártico. Os níveis foram diminuindo em um ritmo alarmante na última década.

Um sinal de trânsito submerso numa ilha vizinha ao Panamá, em setembro de 2012.

Seca generalizada na Somália, declarada a pior crise humanitária do mundo pela ONU em 2011.

Marés excepcionalmente alta e chuvas provocaram a inundação de Veneza por meses.

Um balanço não utilizado perto de uma lagoa que secou no Texas.

Turistas usam máscaras para ajudar a andar entre a fumaça causada pelos incêndios florestais causados em Moscou, em 2010. A Rússia viu a onda de calor mais extrema em mais de 130 anos de verão.

Dezenas de carros flutuando em Wangaratta, Austrália, após inundações devastadoras em 2010.


Via


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Janela para o verde

 

Estudos comprovam: ter vista para a natureza no ambiente de trabalho aumenta a produtividade. Buscando mais contato com a natureza em seus apartamentos e escritórios minúsculos, designers chineses criaram uma janela capaz de abrigar um jardim inteiro.

Diversos estudos provam que a vista da natureza em ambientes de trabalho aumenta a produtividade, além de reduzir a fadiga mental e o estresse, ao aumentar a capacidade de concentração. Se no Brasil já se sente falta de natureza em ambientes urbanos, imagine na China, onde a densidade demográfica é mais de seis vezes maior do que por aqui. Buscando mais contato com a natureza em seus apartamentos e escritórios minúsculos, um grupo de quatro designers chineses criou uma janela capaz de abrigar um jardim inteiro. A Plant Window pode ser encaixada em uma janela tradicional. Além de melhorar a visão que os moradores ou trabalhadores têm do prédio vizinho, o projeto funciona como uma estufa, mantendo amena a temperatura dos cômodos a partir da barreira natural que filtra os raios solares.

O cliente escolhe as plantas de acordo com seu gosto e necessidade, podendo trocá-las quando desejar. Quer deixar sua sala colorida? Plante flores. Mas, se você adora cozinhar, também é possível fazer da janela uma mini-horta, plantando temperos ou até vegetais pequenos
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Fonte: Planeta Sustentável


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Retrato da indiferença




Com o foco dos debates sobre resíduos urbano centrado na reciclagem, pouca atenção se tem dado a outra enorme - e perigosa - montanha de sujeira: os restos de alimento que vão para a lixeira. Dados recentemente divulgados pela FAO, o órgão das Nações Unidas que trata de alimentação e agricultura, mostram que a cada ano 1,3 bilhão de toneladas de comida, cerca de um terço de tudo o que se produz, são perdidas ou por manipulação indevida, ou por ser jogadas fora.

No Brasil, são mais de 25 milhões de toneladas de alimentos que vão parar no lixo todo ano, montante equivalente a 12 bilhões de reais e suficiente para alimentar 30 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos, desperdiça-se ainda mais: a EPA, agência de proteção do meio ambiente, calcula que 30 milhões de toneladas de comida sejam eliminadas - de longe a maior parcela dos resíduos sólidos, em peso. Nas grandes cidades, os latões de restaurantes estão sempre lotados.

Por mais espantosos que sejam os números apenas pelo desperdício, restos de comida têm outro efeito deletério: lançados nos aterros, alimentos em geral se biodegradam, mas em contrapartida produzem gás metano, um dos grandes responsáveis pelo efeito estufa (23 vezes mais danoso do que o gás carbônico). Uma maneira simples de reverter o desperdício seria o encaminhamento dos restos aproveitáveis para comunidades carentes, prática pouco usada.

Outra é a compostagem, como é chamado o conjunto de técnicas para transformar resto de comida em adubo, também pouco praticada - nos Estados Unidos, a reciclagem de alimentos por este e outros métodos é de 2% do lixo total.

Fonte: Planeta Sustentável
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